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A economia de Mato Grosso em 2016

A economia de Mato Grosso em 2016

ato Grosso sofrerá forte retração em sua atividade econômica em 2016. O ambiente recessivo da economia brasileira exerce decisiva influência para a redução da atividade econômica do estado que já caiu em 2015 e se acentuará em 2016. O PIB mato-grossense que apresentou crescimento de apenas 3% em 2013, conforme divulgado recentemente pelo IBGE, cresceu abaixo de 2% em 2014 e 2015 (estimativas) será ainda mais influenciado negativamente pelas péssimas condições da economia do país. A economia de Mato Grosso crescerá abaixo de 2% em 2016.

Nem mesmo a extraordinária performance do setor agropecuário será suficiente para contrapor a retração nos demais setores. Dados disponíveis indicam que indústria, comércio, serviços e produção agrosilvo-florestal sofrerão queda de produção em 2016.
 
A profunda deterioração do cenário político e a falta de confiança empresarial na capacidade das lideranças políticas que conduzem a política do país em recolocar o Brasil nos trilhos do crescimento econômico terão papel decisivo para tornar o 2016 um dos piores anos da economia brasileira. Se 2015 foi um ano para ser esquecido com a confirmação da sucessão de erros grosseiros da política econômica dos governos petistas, 2016 provavelmente será um daqueles anos que o brasileiro torcerá para terminar o mais rapidamente possível.

Em 2014 a economia do país teve crescimento zero. Terminamos 2015 com queda de 4% do PIB do país. As projeções de consultorias econômicas de todos os matizes indicam para 2016 uma retração de 3% e 2017 a queda do PIB será próximo de 2%. Assim, ao final de 2017, o Brasil completará o maior ciclo recessivo de toda sua história econômica.

Nesse ambiente hostil no campo político e na economia, com baixa confiança empresarial, paralisação de investimentos, redução no consumo das famílias, das empresas e dos governos e forte redução na oferta de crédito, torna-se praticamente impossível as economias regionais prosperarem. 

Ao longo das duas últimas décadas Mato Grosso apresenta um ritmo de crescimento chinês, com crescimento médio de 8,76% ao ano, interrompido apenas em 2006 como resultado da profunda crise de liquidez e elevado endividamento do setor agropecuário. Naquele ano de 2006 a economia do estado sofreu queda de 4,6%, completamente fora de sintonia com os anos anteriores quando o PIB teve anos de crescimento acima de 12%. Retomou o crescimento a partir de 2007, surfando na onda do crescimento global e no pantagruélico aumento de consumo de commodities agrícolas pela China. Tornou-se protagonista na produção de alimentos e verdadeira plataforma agroexportadora, gerando expressivos superávits para a balança comercial do país com a exportação de grãos, carnes e produtos florestais.

Mesmo o excepcional desempenho da economia de Mato Grosso não evitou em 2014 e 2015 os perversos efeitos dos desmandos da política econômica do país. A consequente redução no ritmo de crescimento era inevitável. A despeito da heróica resistência do governador Pedro Taques que lidera necessária e pragmática política de austeridade para garantir o equilíbrio das finanças estaduais e promover os investimentos econômicos e sociais exigidos pela dinâmica economia estadual.

Análise das variáveis macroeconômicas de Mato Grosso confirmam o cenário de freada do crescimento em 2016. As vendas no comércio varejista apresentaram redução superior a 15%, recuando a patamares de 2010. As vendas de veículos caíram em mais de 27% em relação a 2014. Vendas de caminhões de carga e máquinas agrícolas também apresentaram queda em relação ao ano anterior. Vendas de passagens aéreas sofreram redução de 12% em 2015. Vendas de pacotes turísticos caíram mais de 40%.

Houve aumento de 202% nos pedidos de recuperação judicial de empresas, totalizando 142 ao longo de 2015. Forte redução de postos de trabalho, da massa salarial e da renda, em razão do aumento do desemprego. O fluxo de passageiros no aeroporto Marechal Rondon sofreu redução de 11,84% até novembro. Os bancos reduziram consideravelmente a oferta de crédito e ficaram mais exigentes na concessão de crédito para consumo e investimentos. Os mesmos bancos informam, em seus balanços trimestrais, elevação da inadimplência em Mato Grosso, como em todo o Brasil.  

A lei orçamentária anual para o exercício fiscal de 2016 elaborada pelo Executivo Estadual e aprovada pelo Parlamento Estadual indica previsão de receita tributária inferior ao que foi arrecadado em 2015. Sinal inequívoco de que a retração da atividade econômica afetará também a arrecadação de tributos estaduais. 
Setor que apresentará crescimento em 2016 é o de exportações de commodities agropecuárias, impulsionadas pela boa safra de grãos a ser colhida em 2016 e pela forte apreciação do dólar frente ao real.

Após queda nos preços internacionais da soja e do milho, os exportadores devem contar com relativa estabilização dos preços em dólares e serão recompensados após a conversão para a moeda nacional. As principais consultorias e bancos de investimentos sinalizam o dólar fechando 2016 valendo 4,70 reais.  


O ano de 2016 será muito desafiador e testará a capacidade de superação da economia de Mato Grosso em ambiente de recessão econômica. Mato Grosso crescerá mais que o país, mas em nível inferior à sua média histórica. Para um estado acostumado com crescimento idêntico ao da China, será um grande teste de sobrevivência.

19/10/2016 02h24
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